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Até agora estou tentando entender porque a reportagem do Fantástico causou tanta surpresa e indignação. É mais ou menos como visitar um bordel e se revoltar com pessoas peladas no meio de uma farra. No meu entedimento o funcionário público induziu de forma criminosa a corrupção pois ele era a pessoa que detinha o poder de zelar pelo dinheiro público. É claro que as empresas poderiam ter simplesmente recusado o serviço mas diante de um funcionário público mal-intencionado e da falta de ética fortemente entranhada na cultura brasileira desde os tempos de Cabral, fica bastante evidente que essa história não poderia ter outro desfecho que não fosse essa exibição vulgar da corrupção ao jeitinho brasileiro.
O que me incomoda em demasia é que as pessoas estão como sempre gritando contra as consequências e ignorando totalmente as causas. Como diria Thoreau, para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raizes. Então onde se encontra o X dessa questão!?
Podemos começar avaliando porque é tão difícil de entender que a concentração de poder e dinheiro na mão de um único funcionário público só pode dar nisso. As pessoas que não concordam ser essa a receita para a corrupção só podem estar alimentando a vontade de um dia se encontrarem na mesma posição desse “servidor” público. A decentralização do poder e a aplicação rígida das leis é o que fomenta o solo para o desabrochar de uma sociedade que entende a supra-relevância da ética. Me arrisco a afirmar que, principalmente no Brasil, os indivíduos éticos são a minoria, e que por uma questão de princípios não se interessam muito pelo funcionalismo público e pela política. Logo apenas a decentralizacão do poder, onde todos vigiam todos, pode reverter esse quadro.
E as empresas? Quem realmente espera que as empresas que fazem negócios com o governo sejam puras e honestas? Será que é muito difícil constatar que as empresas com boas intenções não possuem qualquer chance de sobrevivência nesse mercado? O mercado podre criado pelo PODER e pelo GOVERNO elimina as chances de qualquer empresa honesta sobreviver. Por que será que isso acontece muito menos no setor privado? O dinheiro tomado a força dos trabalhadores via impostos é na teoria de todos e na prática de ninguém, ou seja, a natureza humana (reclame com Deus que nos criou assim e não comigo) não incentiva o cuidado com o que não nos pertence diretamente. Numa empresa privada há muito mais incentivo para o cuidado com o patrimônio, nem que seja pela eterna vigilância dos seus verdadeiros donos, que estão muito longe de ser essa massa acéfala chamada sociedade.
E por fim é preciso se revoltar com o tamanho e o parasitismo do estado brasileiro. Os tentáculos desse monstro estão em tudo, sugando grande parte do esforço diário para ganhar a vida. Veja quanto custa um IPVA no Brasil? Veja quanto custa um litro de gasolina no Brasil? Veja quanto custa um iPad no Brasil? Isso cria uma revolta que se transforma facilmente em corrupção uma vez que a empresa e o indivíduo sem ética julga natural tentar recuperar uma parcela do dinheiro que foi previamente ROUBADO (sim, ninguém paga IPVA por livre e espontânea vontade para ter estradas emburacadas, pedágios caríssimos, engarrafamentos quilométricos, pardais em tudo que é canto, etc.).
Concluindo: A corrupção brasileira só vai diminuir quando houver decentralização de poder juntamente com a redução do tamanho, dos impostos e da burocracia do estado. Nem compensa perder tempo falando na moralização de Brasília via uma reforma política, mas seria bom enfatizar que o Governo é e sempre será parte do problema, nunca da solução. Não seria muito melhor privatizar os hospitais e oferecer um plano de saúde do governo para os pobres? Enquanto tudo isso estiver anos-luz de acontecer no Brasil, o Fantástico pode continuar divertindo as massas com mais esse big-brother descabido e vulgar. Um verdadeiro circo sem pudores.
Tudo que não entendemos podemos chamar de Deus.
Eu não acredito em milagres. Atribuir a intervencão divina para explicar eventos inexplicáveis pode ser confortante e politicamente correto mas é uma visão cômoda e simplista. Se observarmos o universo, podemos concluir algo facinante sobre eventos improváveis: eles ocorrem. Tomemos como exemplo a loteria Mega Millions americana que paga prêmios acima de 100 milhões de dólares. As chances de você ganhar esse prêmio são de 1 em 175 milhões aproximadamente e mesmo que haja 175 milhões de apostadores fazendo uma fézinha a chance de acerto para cada um deles continua sendo de 1 em 175 milhões. Como imaginar então que existem sortudos num nível tão alto? Teria sido uma intervencão divina que fez a pessoa ganhar na loteria?
O mesmo se deu em relacão ao surgimento da vida na Terra. Não conseguimos explicar como um conjunto de fatores e circunstâncias tão improváveis se alinharam para permitir o surgimento da vida no planeta. Sabemos apenas que ela ocorreu. Você até pode chamar o desconhecido de Deus, mas isso não explica nem uma coisa nem outra. Podemos aplicar esse raciocínio a todos os demais eventos improváveis que as pessoas chamam de milagres.
A ciência não tem todas as respostas, mas pelo menos se permite questionar as coisas sem simplesmente oferecer a resposta fácil da intervencão divina. Olhando para o mundo posso constatar que o altamente improvável muitas vezes acontece. Agora o como e o porquê disso eu não tenho idéia. Apenas aprecio humildemente os mistérios da vida.
Sam Harris em seu livro Carta a uma nação cristã
Pense nisto: cada muçulmano devoto tem as mesmas razões para ser muçulmano que você para ser cristão. E no entanto, você não acha essas razões convincentes. O Corão declara repetidas vezes ser a palavra perfeita do Criador do universo. Os muçulmanos acreditam nisso tão piamente quanto você acredita na definição da Bíblia sobre ela própria. Há uma vasta literatura relatando a vida de Maomé que, do ponto de vista do islã, prova que ele foi o mais recentes dos profetas de Deus. Maomé também garantiu a seus seguidores que Jesus não era divino (Corão 5, 71-75;19, 30-38 ), e que qualquer pessoa que pense diferente passará a eternidade no inferno. Os muçulmanos estão certos de que a opinião de Maomé a respeito desse assunto é infalível.
E por que você não perde o sono pensando se deve ou não se converter ao islamismo? Você é capaz de provar que Alá não é o único e verdadeiro Deus? Você é capaz de provar que o arcanjo Gabriel não visitou Maomé em sua caverna? Claro que não. Mas você não precisa provar nada disso para rejeitar as crenças muçulmanas, considerando-as absurdas. Recai sobre os muçulmanos o ônus da prova de que suas crenças acerca de Deus e de Maomé são válidas. E até agora eles não fizeram isso. Eles não podem fazer isso. As afirmações feitas por eles a cerca da realidade simplesmente são impossíveis de ser comprovadas. E isso é perfeitamente claro e óbvio para qualquer um que não tenha se anestesiado com o dogma do islã.
A verdade é que você sabe exatamente como é ser ateu em relação às crenças dos muçulmanos. Pois não é óbvio que os muçulmanos estão enganando a si mesmos? Não é óbvio que qualquer um que considera o Corão a palavra perfeita do criador do universo não leu o livro de maneira crítica? Não é óbvio que a doutrina do islã representa uma barreira praticamente perfeita para a investigação honesta? Sim tudo isso é óbvio. Compreenda então que a maneira como você vê o islamismo é exatamente a mesma como os muçulmanos devotos vêm o cristianismo. E é dessa maneira que eu vejo todas as religiões.
<– Parte 2
Em seu excelente livro “Caixa-preta”, Ivan Sant’anna descreve nos mínimos detalhes três famosas tragédias da aviação brasileira. Ele entrevistou vários sobreviventes, sempre tentando montar um quadro psicológico do que se passa na cabeça das pessoas quando um avião está em sérios apuros. Definitivamente não é um livro para se ler no aeroporto enquanto se espera pelo embarque, mas quem gosta de aviões vai achar o livro memorável pois entenderá muito bem o que se passa em tragédias de avião sem precisar participar de uma.
Umas das partes que mais me chamou a atenção no livro foi quando o vôo 254 da Varig estava prestes a fazer um pouso forçado no meio da floresta amazônica, a noite e sem combustível. Como mais tarde se comprovou pela caixa-preta, percebendo a gravidade da situação e as poucas chances de sobreviver o piloto praticamente se dispede da tripulação pelo sistema de áudio interno da cabine de passageiros:
Senhoras e Senhores , é o comandante quem vos fala. Tivemos uma pane de desorientação dos nossos sistemas de bússola. Estamos com o nosso combustível já no final ainda com 15 minutos. Pedimos a todos que mantenham a calma porque uma situação como essa é difícil de acontecer. Deixamos a todos com a esperança de que isso não passe de apenas um susto para todos nós. Pela atenção muito obrigado e que todos tenham um bom final.
Momentos depois, quando um dos motores parou por falta de combustível, a caixa-preta registrou a seguinte gravação:
O motor 1 acabou de parar…A gente vai ter que descer agora…Eu não vou poder falar que a gente vai se preparar para o pouso , ok? Atenção tripulação , preparar para o pouso forçado.
Infelizmente o impacto do avião contra as árvores no escuro causou a morte de 12 dos 54 passageiros. Mas os que sobreviveram puderam narrar depois o que se passou na cabine naqueles longos minutos que antecederam o pouso forçado. Um dos sobreviventes contou a Ivan Sant’anna que procurou manter a calma e pode assim observar a reação dos passageiros diante da tragédia eminente. Ele relata que enquanto alguns entraram em desespero e começaram a gritar “Eu não quero morrer!” outros pareciam numa completa paz, como se tivessem aceitado a morte. Ora, como alguém pode estar em paz no dia da sua morte? A resposta é simples e chega ser até um clichê de Hollywood: todos morrem mas poucos realmente vivem.
Nesse mundo incerto só há uma certeza absoluta: todos nós morreremos. Não podemos saber quando, mas temos certeza que cedo ou tarde isso acontecerá. Assim como um parente que virá nos visitar em breve, podemos nos preparar para esse momento, e para isso temos uma vida toda. Se a morte não existisse teríamos todo o tempo do mundo para não fazer nada e é por isso que quando me lembro que eu morrerei em breve, concluo que sou abençoado por estar vivo e que não irei disperdiçar essa oportunidade que é única. Só assim, no dia da nossa morte, poderemos, talvez, ter a tranquilidade e a paz que alguns passageiros do vôo 254 demonstraram.
No livro “Por um fio” o doutor Dráuzio Varella fala de sua experiência com doentes com câncer e do impacto da perspectiva da morte no comportamento dos seus pacientes. Com a palavra o médico:
Mas o grande mistério para mim era encontrar os motivos que tornam a pessoa que tem a vida ameaçada em alguém com felicidade plena; afinal, era freqüente encontrar pacientes com doença incurável que se diziam mais felizes.
Outro exemplo também bastante motivador é o relato que o médico psiquiatra Roberto Shinyashiki faz dos dias em que trabalhou num hospital com doentes terminais:
Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz.” Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.
Que a felicidade pode ser feita de coisas pequenas, e grandes também, já é sabido pela maioria da população. A questão é que o que é pequeno para você pode ser grande para mim e vice-versa. Eu não diria que a felicidade é feita de coisas pequenas, mas sim que ela é algo extramamente individual, que só você e mais ninguém pode saber o que a felicidade significa em sua vida. Infelizmente a sociedade acredita que tem a receita para sua felicidade. Que basta você acordar cedo, trabalhar bastante, comprar um carro e uma casa, casar e ter filhos, que você será uma pessoa feliz. Será realmente? Experimente imaginar-se no dia da sua morte, no seu próprio velório, e pergunte sinceramente se você está vivendo da maneira que você gostaria. Eu sei que você gostaria de estar dirigindo uma Ferrari, mas não é em bens materiais que a pergunta se baseia, mas sim em bens emocionais. Talvez você nem saiba o que realmente lhe dá prazer nessa vida, tirando é claro aquela mulher maravilhosa da novela das 7, tão inacessível quanto a Ferrari. Não se desespere, pois poucas pessoas conhecem a sua própria felicidade. A boa notícia é que você ainda está vivo para descobrir o que desperta o seu desejo e a sua vontade. Esperimente fazer algo que realmente lhe motive, lhe apaixone e que só dependa de você para ser feito, sem se preocupar com o que os outros esperam de você, que aí sim você encontrará a sua felicidade e a sua liberdade.
A morte nunca surpreende o sábio, pois ele está sempre pronto para partir.
Concluindo, assim como não existe feliz sem triste, pobre sem rico, não existiria a vida se não houvesse a morte. Os cientístas já sabem que para toda partícula elementar do universo há um oposto. O universo nos confirma na sua forma mais elementar que um mundo sem diferenças é impossível. É apenas quando entendemos e aceitamos a morte é que podemos disfrutar livremente do nosso bem mais precioso que é a vida.
<– Parte 2
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O Espiritismo é uma doutrina religiosa que conquista muitos adeptos, justamente pelo seu caráter racional e lógico. Dentre muitas religiões onde o racionalismo é assassinado em prol de uma fé cega no improvável, o Espiritismo surge como uma resposta lógica para os anseios da vida. Entretanto, devemos adotar uma postura imparcial para avaliar friamente a questão chave do espiritismo: Será mesmo que quando morremos o nosso espírito fica vagando por aí e pode até mesmo se comunicar com os vivos?
No livro Por trás do véu de Ísis o jornalista Marcel Souto Maior apresenta uma investigação bastante imparcial sobre a comunicação entre vivos e mortos. As histórias narradas ali de algumas seções de psicografia são um atente ao bom-senso. Mas como esperar bom-senso de alguém que acabou de perder um ente querido? É compreensível que uma dor tão grande como essa, carregada de fortes emoções, ofusque e muito a razão. Que muitos médiuns oferecem conforto a pessoas desesperadas por qualquer contato com o seu ente querido deve ser sem dúvida considerado como um ato bom, principalmente se nada é cobrado em troca e desconsiderando-se o valor da fama, do prestígio e do poder. Mas isso de maneira nenhuma comprova a existência de espíritos ou de vida após a morte.
O que se constata em muitas histórias narradas no livro é que tudo (isso mesmo tudo) que o médium psicografa sobre o morto foi previamente fornecido pelos parentes da vítima. São histórias tristes de pessoas desesperadas que viajam 10 horas de carro até a casa do médium, fazem uma entrevista particular com ele onde revelam vários detalhes sobre a vida do morto e logo depois caem em pranto durante a seção de psicografia quando o médium repete aquelas mesmas informações num pedaço de papel. A desculpa do Espiritismo para as entrevistas é a seguinte: “O melhor é fornecer aos médiuns o maior número possível de informações para facilitar a comunicação com o espírito.”
Não estou aqui julgando se o Espiritismo é bom ou ruim. Tenho certeza que Chico Xavier foi uma pessoa iluminada, que levou conforto e esperança para muitas pessoas. O que está em discussão é a probabilidade de haver vida após a morte. Muitos espíritas convictos irão argumentar que a caligrafia e até mesmo a assinatura na mensagem são muito parecidas com a do morto, como se fossem verdadeiros peritos grafotécnicos. Sendo assim se torna muito fácil a comprovação científica da real existência dos espíritos. Bastaria que alguém que comprovadamente não soubesse escrever em japonês psicografasse uma mensagem de um espírito japonês. Mas isso nunca aconteceu e a explicação do Espiritismo para a não realização desse teste é a seguinte: “O médium é apenas um intermediário que escuta as mensagens dos espíritos e as coloca no papel, não podendo assim compreender uma mensagem em japonês.” Ué? Mas então por que o médium não usa a sua própria caligrafia ao invés da do espírito?
Chico Xavier psicografou alguns poucos e pequenos textos usando um inglês sofrível. Nada foi psicografado em Japonês. Mas como uma pessoa tão humilde como Chico Xavier poderia escrever qualquer coisa em inglês, mesmo que cheio de erros? A resposta foi dado pelo próprio Chico Xavier na seção “Palavras Minhas” do seu primeiro livro Parnaso de Além Túmulo:
Começarei por dizer-lhe que sempre tive o mais pronunciado pendor para a literatura; constantemente, a melhor boa vontade animou-me para o estudo. Mas, estudar como? Matriculando-me, quando contava oito anos, num grupo escolar, pude chegar até ao fim do curso primário, estudando apenas uma pequena parte do dia e trabalhando numa fábrica de tecidos, das quinze horas às duas da manhã; cheguei quase a adoecer com um regime tão rigoroso; porém, essa situação modificou-se em 1923, quando então consegui um emprego no comércio, com um salário diminuto, onde o serviço dura das sete às vinte horas, mas onde o trabalho é menos rude, prolongando-se esta minha situação até os dias da atualidade. Nunca pude aprender senão alguns rudimentos de aritmética, história e vernáculo, como o são as lições das escolas primárias. É verdade que, em casa, sempre estudei o que pude, mas meu pai era completamente avesso à minha vocação para as letras, e muitas vezes tive o desprazer de ver os meus livros e revistas queimados. Jamais tive autores prediletos; aprazem-me todas as leituras e mesmo nunca pude estudar estilos dos outros, por diferençar muito pouco essas questões.
Chico Xavier nasceu analfabeto como eu, mas pelas suas próprias palavras é fácil concluir que era chegado a uma boa leitura e ao estudo por conta própria. Fala também que leu vários livros e que esses foram queimados o que impossibilita sabermos com precisão a que tipo de literatura ele foi exposto. Entretanto, quando em 1944 os jornalistas David Nasser e Jean Manzon visitaram a casa de Chico, encontraram em sua estante livros de Guerra Junqueiro e Tolstoi. Coincidentemente ou não, Guerra Junqueiro é um dos autores psicografados no livro Parnaso de Além Túmulo escrito por Chico ao longo de mais de duas décadas. A primeira edição do livro em 1932 possuía 60 poemas de 14 autores mortos. Várias novas edições foram lançadas, até que em 1955 foi lançada a última que possui o número final de 256 poemas e 56 autores.
A verdade é que, assim como todas as religiões, o Espiritismo não deseja que se comprove racionalmente a existência dos espíritos, pois se isso um dia acontecer ele perderá sua áurea de “sobrenatural” e se tornará uma ciência como outra qualquer. Será estudada e pesquisada nas universidades, assim como a Física Nuclear e a Cosmologia, e perderá o seu apelo de doutrina para as massas. Pode ser que amanhã apareça algum médium brasileiro que seja capaz de psicografar textos em qualquer idioma. Talvez também apareça um médium capaz de psicografar textos de trás pra frente sem usar uma folha de carbono por baixo, truque bastante conhecido pelos mágicos iniciantes. Enquanto isso não acontece e o Espiritismo permanece no campo do sobrenatural e da fé, o melhor que você pode fazer para a sua vida é assumir que ela é o oposto da sua morte. Não há uma segunda chance nem uma segunda vida. Não há espíritos vagando por aí. Sei que isso não era exatamente o que você queria ouvir mas essa é a realidade nua e crua. Tudo no universo tem um início, meio e fim, e só quando entendemos e aceitamos o gran finale que é a morte é que podemos viver realmente livres para desfrutar essa oportunidade divina e única que é a vida. Podemos buscar consolo no improvável para as vicitudes da vida, mas estaremos apenas fugindo da realidade do mundo e tampando o sol com a peneira. O meu amigo Rodrigo Constantino resumiu muito bem essa questão em seu blog:
Pode um falso consolo ser um bom consolo? As drogas que vendem fuga temporária da realidade são amigas verdadeiras? Não é fácil julgar os pais que, em situação de total desespero, encontram algum refúgio no espiritismo. Talvez seja preciso uma força muito rara para aceitar que o acaso existe, que acidentes ocorrem, que a vida é finita e que nem todas as desgraças devem ter algum sentido. A morte de uma criança inocente suscita inúmeras dúvidas metafísicas. Qual pode ser o sentido dessa vida? Por que ela, e não um adulto? Por que alguém bom, e não um assassino perverso? O caminho mais fácil – e confortante – é crer que tudo é parte dos planos divinos, que tinha que ser assim, que foi para libertar essa alma para sempre.
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A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.
Epicuro, um dos mais sóbrios filósofos da Grécia antiga, definiu muito bem o sentido da morte: A morte é um nada! É o fim soberano e implacável da sua existência. É o limite temporal do seu corpo, da sua mente e da sua alma. Eu sei que você e eu gostaríamos que não fosse assim, que houvesse uma outra vida após a morte, que nossos espíritos ficassem vagando por aí tentando se comunicar com os vivos, etc. mas tudo isso é uma grande bogagem, uma ilusão necessária para aqueles que escolheram abrir mão dessa vida concreta em prol do uma outra duvidosa no além. Pensando bem é até melhor que saibamos que não há outra vida nem outra chance para ser feliz, assim não há desculpas para não aproveitar da melhor maneira possível essa vida bem real que temos ao nosso alcance e que nem sempre lhe damos o valor devido.
Nesse capítulo explicarei racionalmente porque é bastante provável (bastante mesmo) que não exista vida após a morte, nem espíritos, nem psicografia, nem qualquer outra coisa que justifique qualquer tipo de ilusão para aqueles que ainda estão vivos por aqui. Seria como contar com um salário extra que nunca virá ou com a herança de um parente pobre. Mas se você gosta de ilusões e prefere abrir mão da sua vida e da sua sanidade mental em prol de algo bastante improvável, então boa sorte, pois irá precisar dela.
Antes mais um trecho bastante enriquecedor da carta de Epicuro ao amigo Meneceu:
Acostuma-te à idéia de que a morte, para nós, é um nada. Todo o bem e todo o mal residem na faculdade de sentir; a morte, porém, é a privação desse sentimento. Assim, o conhecimento de que a morte nada é torna deliciosa a nossa vida efêmera. Evidentemente, esse saber não modifica o limite temporal da nossa vida, contudo livra-nos do desejo de sermos imortais, pois para quem ficou ciente de que nada de terrível existe na ausência de vida, nenhum terror pode haver no viver.
Parte 2 –>
Com minha recente mudança para Chicago e o turbilhão de incertezas que acompanham o abrir mão de uma situação confortável em prol de um passo rumo ao desconhecido, tive uma queda no meu sistema imunológico. O resultado foi uma quase-gripe, que foi embora com a mesma velocidade que apareceu sorrateiramente, mas sem antes deixar um rastro de tosse seca em meu pulmão. Agora durante a noite tenho dificuldades para dormir, pois a tosse ataca em intervalos contínuos que vão se espaçando vagarosamente, até que finalmente o meu corpo consegue uma pausa suficientemente longa para se render ao cansaço e adormecer. Não é a primeira vez que isso acontece. Parece que o meu corpo é hábil o suficiente para se livrar da gripe mas acaba sempre pagando o preço remanescente da tosse. Pensando bem é um boa troca, que ao mesmo tempo enfatiza o poder de destruição que o estresse pode ter sobre nossa saúde. Agora é esperar, relaxar, beber água, tomar uns xaropes até que o corpo retome o controle da situação, o que no passado exigiu mais ou menos um mês de noites mal dormidas.
Na minha viagem para o Brasil para ver minha filha antes de começar a trabalhar 12 horas por dia num banco de investimento privado, onde erros não deixam clientes aborrecidos, mas fazem o dinheiro dos donos virar pó instantaneamente, presenciei situações que geraram uma rápida mas incômoda perturbação. Ao sair do avião em direção ao terminal de desembarque no aeroporto de Dallas, avistei um cego. Ele segurava a sua bengala com uma esfera de plástico na ponta inferior e tentava se aproximar do caixa de um Starbucks para pedir um café. Algumas pessoas se afastaram sem saber o que fazer, mas foi a voz do prestativo atendente que atiçou um de seus sentidos mais bem desenvolvido: a audição. “Em que posso servi-lo?”. Continuei andando e cruzei com um rapaz na casa dos 40 anos que se locomovia com dificuldades mancando de um perna. Não consegui determinar se era uma simples contusão ou um problema permamente. Parei numa pizzaria e enquanto esperava a atendente solitária atender as 4 pessoas na minha frente vi um rapaz de no máximo 25 anos entrando de forma robótica na lanchonete. Ele andava com dificuldade pois a cada passo as junções do seu corpo estalavam como se atingidos por ondas elétricas desreguladas. Peguei minha pizza e me dirigi apressadamente ao terminal de embarque D22A.
O vôo estava meia hora atrasado e no saguão de embarque comecei a reparar nas pessoas a minha volta para espantar o tédio. Como já disseram antes, basta um olhar atento para a face das pessoas, para a expressão dos seus olhos e para sua linguagem corporal para conhecer o que há de mais importante em suas personalidades. A minha frente havia dois casais. Um mais idoso e outro mais jovem. Constatei que o marido estava viajando com a esposa e os sogros. A esposa tinha a forma de uma bola murcha, uma boca desajeitada com lábios negros e olheiras escuras que faziam com que o contorno dos seus olhos combinassem com sua boca. Ela tinha um olhar de tédio e resignação. O marido também estava acima do peso, mas se tornava bastante atraente perto da esposa. Quando ia começar a analisar os sogros, a esposa tirou de uma embalagem um grande sanduíche de peru. Ela devorava aquele sanduíche não como quem sacia a pulsão animal da fome, mas sim como se estivesse extraindo um prazer sexual daquele alimento. Virei para o lado e tentei pensar em outra coisa, mas quando olhei novamente ela já tinha passado para um muffin (bolinho de chocolate), que desapareceu poucos segundos antes do início do embarque.
Entrando no avião, percebi que o casal estava na fileira de poltronas ao meu lado. Pareciam bem simpáticos e estavam conversando sobre a sua viagem pela Califórnia. Pensei que para muitas pessoas, por uma felicidade dessas, ou seja, para viajar e apreciar lindos visuais de rochedos e praias, tirar milhares de fotos que ninguém nunca se interessará em vê-las, fazer compras de tudo que é bugigangas, deve valer mesmo a pena ser casado não importando o seu par. Não consegui determinar se o meu sentimento foi de pena ou admiração, mas enquanto procurava a resposta a comissária de bordo começou a servir o jantar. Olhei para o lado e vi que a esposa já estava com a bandeja aberta, a barriga debruçada sobre a mesinha retrátil, esperando por mais um momento de prazer. Novamente a comida desapareceu rapidamente e os itens não consumidos foram devidamente removidos e armazenados para uma necessidade futura. O marido deu um beijo na esposa. Pareciam realmente felizes sob o seu conceito de felicidade. Mais uma vez não soube distinguir se o que eu sentia era pena ou admiração.
Dei uma forte tossida virando para o lado e levando a mão a boca para tentar incomodar o menos possível o passageiro no lado oposto. Tentei sentir pena de mim mesmo. Entretanto o único sentimento que consegui sentir foi a repugnância pelo meu esforço para tentar sentir algo igualmente repugnante. Pensei que o cego, o manco e o deficiente não pareciam estar a procura de pena ou compaixão. Estavam de cabeça erguida cientes das suas dificuldades e do seu valor pessoal. Ao mesmo tempo senti decepção comigo mesmo por todas as vezes que me senti triste e chateado com os meus problemas insignificantes perto dos problemas dessas pessoas. Pensei que toda a vez que eu reclamasse da minha vida merecia tomar um tapa na cara. Pensei no casal que viajava ao meu lado. Não houve pena nem compaixão, sentimentos que por si só não produzem nada a não ser fornecer a pessoa que os sente uma confortante ilusão de superioridade moral. Fiz um esforço para sentir admiração. Fracassei. Optei pela opção mais pura: não senti absolutamente nada. Tossi mais uma vez e tentei adormecer.
O que aconteceu nesse massacre a escola do Rio de Janeiro foi monstruoso, mas isso é apenas a parte óbvia da questão. Seria interessante aproveitar a oportunidade para analisar um outro fator dessa tragédia: o bullying.
Acabei de ver um video no Fantástico onde ex-alunos que estudaram com o assassino descrevem como ele foi colocado de cabeça pra baixo na privada enquanto a descarga era acionada. Apesar de falar isso com naturalidade, o narrador não entrou nos detalhes se havia excrementos no vaso sanitário quando essa “brincadeira” foi executada. Antes que algum débil-mental venha dizer que estou defendendo o psicopata, gostaria de dizer que nada justifica o que ele fez por uma lógica muito simples: se eu te dou um soco, você pode no máximo me dar outro ou mais prudentemente chamar a polícia. Agora se eu te dou um soco e você me dá um tiro você perde a razão completamente. Basta adicionarmos a isso o fato de que o assassino descontou sua raiva em pessoas inocentes que NADA fizeram contra ele para concluirmos que ele foi um monstro selvagem.
Agora toda essa dramatização não invalida em hipótese alguma um outro crime: o bullying. A não ser que os perpetradores desse crime sejam “mães dinás” e possam prever o futuro para saber de antemão que estavam lindando com um assassino, o que obviamente não foi o caso, eles cometeram sim um crime que passou como uma brincadeira de criança. Eu fico imaginando o que aconteceria se eu, adulto, resolvesse brincar com algum outro adulto de coloca-lo de cabeça pra baixo numa lixeira ou numa privada. Se um adulto, por lei, não pode fazer isso, por que uma criança pode?
Junto com essa campanha pelo desarmamento, poderíamos também iniciar uma forte campanha contra bullying no Brasil, com punições severas pelo Estado e pela escola a “crianças” que praticam esse tipo de coisa. Não temos nem um nome para isso e a reportagem do Fantástico usou esse termo em inglês. Chegou a hora de dar nome aos bois e coibir de forma severa esse comportamento. Crianças também podem se comportar como adultos criminosos e precisam ser repreendidas por isso.
Para concluir, deixando o politicamente correto de lado, gostaria de dizer que o psicopata poderia ter usado a Internet para descobrir onde estavam os seus “colegas” de infância ao invés de descarregar sua raiva em inocentes. Ainda sim seria uma covardia sem tamanho mas eu acredito que teria sido um pouco menos difícil de entender.
Christopher McCandless no filme “Na Natureza Selvagem”:
“A única dádiva do mar são suas batidas severas… e ocasionalmente a chance de se sentir forte… eu não sei muito sobre o mar, mas sei que o caminho é por aqui… e também sei o tão importante que é na vida não necessariamente ser forte mas se sentir forte… se avaliar uma vez na vida… se encontrar pelo menos uma vez na mais antiga condição humana… encarando a vida sozinho, com nada pra te ajudar alem das suas mãos e da sua própria cabeça.”
“The sea’s only gifts are harsh blows, and occasionally the chance to feel strong. Now I don’t know much about the sea, but I do know that that’s the way it is here. And I also know how important it is in life not necessarily to be strong but to feel strong. To measure yourself at least once. To find yourself at least once in the most ancient of human conditions. Facing the blind deaf stone alone, with nothing to help you but your hands and your own head.”
Um amigo fez um grande esforço para me convencer que sou um pecador e que preciso me salvar em Jesus Cristo. Ele escreveu:
Sérgio, você tem certeza que não é um pecador? O que é pecado? A Bíblia diz que pecado é uma “transgressão da lei de Deus” (1 Jo 3:4). Será que você nunca transgrediu a lei de Deus, em nenhum aspecto? Você sempre amou a Deus sobre todas as coisas, mais do que a você mesmo, sua família, sua vida? Você ama o seu próximo como a você mesmo? Você nunca mentiu? Nunca desejou o mal de ninguém, secretamente, no seu coração? Nunca invejou ninguém, nunca falou mal de ninguém? Você sempre andou dentro de todos os preceitos de Deus?
Então ficou claro pra mim que os nossos conceitos de “pecador” eram bem diferentes. Minha resposta:
Não existe perfeição no universo. Por algum motivo Deus criou o mundo imperfeito. Não só o ser humano não é perfeito assim como toda a natureza não o é. É bela mas imperfeita. Quando falei que não sou um pecador não quiz dizer que sou um ser perfeito. Apenas quiz dizer que entendo bem a diferença entre e BEM e o MAL e me esforço para estar sempre do lado do bem. Um pecador é aquele que tendo consciência do MAL mesmo assim o faz não por imperfeição mas por vocação e defeito de caráter. (…) Nossas definições de PECADOR são diferentes. Vc diz que pecador é todo ser humano não-perfeito, ou seja, todos. Eu digo que pecador é todo ser humano com desvio de caráter. Pratica o mal por opção.
E continuo:
Eu acredito ser possível para qualquer ser humano em bom estado mental diferenciar o BEM do MAL. Qual o valor de praticar o BEM por medo de Deus? Se eu coloco uma arma na sua cabeça e lhe obrigo a fazer o BEM, qual o valor que isso tem? Eu não preciso de Deus para saber que ser BOM é a única maneira correta e possível de se viver. É claro que o mundo não é perfeito. O Deus que criou esse mundo deu ao homem o livre-arbítrio, e apenas porque há a liberdade de escolha há também o conceito de moralidade. Você fala como se eu não tivesse escolha. Como se eu fosse um animal irracional, agindo por instinto, sem pensar, sem usar o meu cérebro. Se não tenho escolha então eu posso cometer um crime e a culpa não é minha. Veja o que essa linha de pensamento causa no nosso mundo. O réu se torna a vítima e vice-versa. Os justos PAGAM pelos injustos, assim como Jesus pagou. Vc acha isso legal?
Como alguns já me perguntaram, eu não desejo entrar numa cruzada anti-religiões. Apenas ressalto que a maioria das religiões degrada o ser humano. Segundo elas, ele é mau por natureza. Um pecador que precisa se entregar a Deus para se salvar na vida eterna, seja lá o que for isso. Creio que seja muito difícil e doloroso para um ser humano viver sem auto-estima. E o discurso de algumas religiões é de BAIXA AUTO-ESTIMA. Somos pecadores, maus, etc. Não acho que esse discurso vai trazer bons resultados aqui nesse mundo concreto que vivemos. Muito pelo contrário. Uma pessoa sem auto-estima, honra e caráter tem muito pouco a perder. Se não amamos nem respeitamos a si mesmo não podemos amar e respeitar ninguém. Antes de declarar o seu amor ao próximo, que é muito bom sem dúvida, AME-SE. A primeira coisa que temos que falar quando dizemos “Eu te amo” é o “Eu”.
Acredito que o problema está nesse radicalismo dos religiosos que dizem: ou você é um crente em Deus ou você está perdido e irá queimar no inferno. Coloco então a seguinte pergunta: Se você tivesse que escolher entre ser um agnóstico com caráter e um cristão sem caráter quem vc escolheria? Se Deus lhe desse duas escolhas: Ou você será um agnóstico com caráter, honra e integridade ou você será um cristão criminoso. Qual vc escolheria? Deus quer que tenhamos auto-estima, caráter e integridade, apenas isso. Não creio que ele faça tanta questão assim de que fiquemos bajulando ele o tempo todo. Isso seria um Deus imperfeito e vaidoso. Entre o bem e o mal, entre religioso e agnóstico, você pode escolher. Dá para ser religioso e bom? Sim, claro. Dá para ser agnóstico e bom? Sim, claro. Mas em ambos os casos vc vai precisar de auto-estima. Ao invés de dividir o mundo entre RELIGIOSO FIÉIS E AGNÓSTICOS INFIÉIS, melhor dividir as pessoas entre bons e maus. Com caráter e sem caráter. Com honra e sem honra. Acho que faz mais sentido e produz resultados melhores para o convívio em sociedade.
Um templo ao espírito humano deve ser um lugar alegre, com a alegria da exaltação que deve ser silenciosa. É um lugar onde uma pessoa pode vir para se sentir forte e sem pecado, para encontrar a paz de espírito que nunca lhe é concedida a não ser pela sua própria luta e glória. (…) Por outro lado, uma pessoa que entra numa igreja busca libertar-se de si mesmo. Ela deseja humilhar seu orgulho, confessar sua falta de valor, implorar por perdão. Ela encontra realização em um senso de profunda humildade. A postura apropriada ao homem em uma casa de Deus é de joelhos.
É por isso que não sou religioso. Ninguém é perfeito mas acredito que o homem pode e deve ter o seu valor e a sua auto-estima sem precisar se subjugar a Deus ou a qualquer outra pessoa em nome dele. É isso que Deus realmente deseja de cada um de nós: a responsabilidade individual para ser o seu melhor possível e para estar sempre ao lado do bem. Um Deus bom só poderia querer isso e não ligaria para a adoração de súditos.

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Você tem a liberdade de ser você mesmo, você de verdade, aqui e agora, e nada pode impedir o seu caminho.
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